O Futuro do Mercado de Luxo no Brasil – por Mirela Lacerda

julho 30, 2010 by Mirela Lacerda  
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Nos anos 90, a Daslu chamou a atenção do mundo como o primeiro grande centro de luxo brasileiro. Quando o país ainda nem sonhava em ocupar a posição de economia emergente e integrar o time de BRICs (Brasil, Russia, India e China), o consumo de produtos de luxo era algo além da nossa realidade, feita apenas pelos muito ricos, geralmente em viagens para o exterior. Hoje a situação mudou bastante e a maioria das marcas antes só vendidas na Daslu possui mais de um espaço próprio: a Louis Vuitton tem seis lojas e a Salvatore Ferragamo, oito unidades. Hermès, Gucci, Carolina Herrera, Diane von Furstenberg, Missoni, Chanel e Christian Louboutin abriram em shoppings de luxo em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Burberry inaugurou sua primeira loja independente em Brasília, há pouco tempo, e a Emporio Armani prepara sua chegada à capital.

Loja da Giorgio Armani no Shopping Cidade Jardim

O consumo de produtos de luxo no país cresceu mais de 35% nos últimos dez anos, o que significa vendas de 2.5 milhões de dólares a cada ano. O Brasil é a maior economia da América Latina, responsável por 70% do segmento de luxo, e a 10ª maior do mundo. No ano passado, mesmo com a crise financeira mundial, o setor cresceu 8% e a previsão é que até o fim de 2010 os consumidores de luxo comprem 50% a mais. Recentemente, a Veja fez uma reportagem de capa afirmando que a cada dez minutos um executivo se junta ao grupo de milionários.

Projeto do Village Mall, shopping de luxo que será inaugurado em 2012 na Barra da Tijuca

Os dados são muito promissores, mas será que a realidade é assim tão boa? Por mais que o consumidor brasileiro seja ávido por novidades, ele sabe que o valor das mercadorias aqui é, em média, três vezes mais caro devido aos altos impostos. Ou seja, às vezes sai mais barato pegar um avião e ir até Miami, Nova York ou Paris (os três top destinos do turista brasileiro) comprar um produto. Nossa única vantagem é o sistema de parcelamento no cartão de crédito, algo inédito no resto do planeta.


Fachada do Shopping paulistano Cidade Jardim

Outra questão é a centralização de São Paulo. Apesar de outras regiões, como Brasília, o próprio interior de SP, o Norte e Nordeste demonstrarem potencial de consumo, os números são pequenos. O Rio, o segundo mercado nacional, tem apenas 15% do segmento de luxo. A médio e longo prazo, será que vale a pena investir em um país tão extenso mas com poucas possibilidades de abertura de filiais?

Corner da H.Stern na Printemps, em Paris. A joalheria brasileira está presente em várias cidades do mundo

Finalmente, como as grifes nacionais podem competir neste mercado? Se as taxas de importação diminuírem, não vai ser difícil encontrar sapatos, bolsas e roupas de marcas estrangeiras custando menos que muitas brasileiras. O processo de internacionalização de nossas empresas é lento e a competição, enorme. Sem contar que a matéria-prima é cara e o setor de moda no Brasil é conhecido pela falta de profissionais qualificados.

Carlos Miele também representa muito bem o Brasil, com lojas em Nova York, Miami e Paris

Por outro lado, marcas de luxo “made in Brazil”, como Osklen, Carlos Miele e H.Stern já mostraram que têm uma identidade bem formada e um apelo de consumo baseado em lifestyle. E aí entram os famosos conglomerados internacionais. A compra da Sack’s pelo LVMH (que com isso traz a Sephora para o Brasil) foi o primeiro sinal de novas possibilidades. Há algumas semanas os executivos do concorrente PPR, chefiados por François-Henri Pinault, estiveram por aqui e conversaram com Oskar Metsavath, da Osklen, e conheceram o QG da H.Stern, em Ipanema. Pode ser que um novo caminho para o mercado de luxo brasileiro esteja se abrindo, e a melhor opção para enfrentar a concorrência seja unir-se aos grandes e experientes. Mas isso é papo para outra coluna…

Releia as entrevistas sobre o mercado de luxo no Brasil com:

Carlos Ferreirinha

Silvio Passarelli

Patricia Gaia

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Tendência: Bolsas Estruturadas

julho 28, 2010 by Mirela Lacerda  
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Dior e Lanvin

Salvatore Ferragamo e Marni

Os acessórios também estão se adaptando a esses novos tempos, minimalistas e práticos. As prováveis próximas it bags vêm com um design bem diferente das últimas temporadas: são menores, mais estruturadas e com alças longas, para serem penduradas nos ombros. O modelo envelope, que é uma espécie de evolução da 2.55 da Chanel, e mesmo a carteiro foram as mais vistas nos desfiles internacionais e começam a chegar nas lojas do hemisfério norte. Confira alguns exemplos acima.

Lisanne De Jong no Verão 2011 da Alcaçuz

julho 27, 2010 by Helena Kwamme  
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A top holandesa Lisanne De Jong veio ao Brasil a convite da Alcaçuz para fotografar o catálogo de verão 2011 da grife. A top de apenas 19 anos, é uma das favoritas de marcas como Proenza Schouler, Prada, Chanel e foi a estrela das campanhas de inverno 2010 da Celine, Balenciaga e Burberry Black Label. As fotos do verão 2011 da Alcaçuz são de Gui Paganini, maquiagem de Duda Molinos e direção da Mint.

A Moda na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica – por Mirela Lacerda

julho 26, 2010 by Mirela Lacerda  
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Na faculdade de Comunicação, um dos primeiros filósofos que estudamos é Walter Benjamin. O alemão, famoso por integrar a Escola de Frankfurt, ficou conhecido por vários ensaios, entre eles “A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica”. O ponto central desta teoria refere-se à destruição da “aura” que envolve as obras de arte a partir do momento em que elas são reproduzidas para uma sociedade de consumo de massa. Quando escreveu, ele refletiu sobre o impacto do cinema na perda desta aura, mas obviamente nem imaginava o que estava por vir com a TV e a internet.

Outro dia, revendo o documentário do “Valentino – O último imperador”, lembrei de Walter Benjamin e de sua teoria. O título do filme não poderia ser melhor. Valentino é mesmo “o último dos grandes”. Ele representava uma era da moda em que a relação estilista-roupa era completamente diferente. Como Yves Saint Laurent, Christian Dior, Balenciaga e tantos outros ícones, ele criava com o objetivo de deixar a mulher mais bonita. Da pesquisa ao produto final – tanto na alta-costura como no prêt-à-porter -, seu processo era puro, sofisticado e detalhista, e funcionava em um ritmo que não cabe mais nesta era de conglomerados e fast fashion.

A última coleção de prêt-à-porter do estilista, para a primavera 2008

Além disso, Valentino era o epítome de tudo que vendia: tinha uma vida absolutamente glamurosa, casas espalhadas pelo mundo, era cercado de pessoas lindas, ricas e cultas. Depois de se aposentar, no inicio de 2008, a grife passou por momentos confusos. Primeiro, Alessandra Facchinetti foi nomeada como sua substituta e ficou no posto por apenas duas temporadas. Seus ex-assistentes, Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri (decorar esses nomes já é um problema), foram então promovidos ao cargo. Só que por mais que eles tenham convivido e aprendido com o estilista, eles nunca serão como ele! E aí entra a questão da perda da “aura”. A aura de Valentino estava em tudo que ele criava e representava. Não há como substituí-la sem parecer forçado ou até mesmo “fake”.  A identidade da grife se foi junto com seu fundador, o que resta é uma logo que pode ser reconstruída, com outra imagem, e geralmente isso leva tempo…

A última coleção de Alessandra para Valentino, para a primavera 2009

Walter Benjamin não era pessimista em relação à perda da aura. Ele via um novo caminho se abrindo e um novo relacionamento da arte com as massas. Concordo com ele e afirmo que nem toda mudança é negativa. Tom Ford, por exemplo, imprimiu uma nova aura à Gucci – tão poderosa, aliás, que sua saída significou grandes perdas na identidade da marca até Frida Giannini construir uma nova.

A primeira coleção de Pier Paolo e Maria Grazia, para o outono 2009

Marc Jacobs transformou a aura da Louis Vuitton, Alber Elbaz a da Lanvin, e até mesmo Stefano Pilati, que substituiu Tom Ford e começou a criar para a Yves Saint Laurent enquanto o próprio estava vivo, conseguiu fazer um bom trabalho. Agora, quem consegue visualizar a Chanel sem a aura de Karl Lagerfeld? Como ele mesmo diz a Valentino em uma cena do documentário, comparado aos dois, o resto dos designers não faz mais do que trapos…

A coleção mais recente da dupla, de alta-costura para o outono 2010: a mudança no público-alvo é visível

A questão nesta era de conglomerados de moda e inevitáveis substituições de estilistas é bem complexa. Não é apenas talento nem estratégias de marketing que vão levar as grifes a venderem mais ou menos. É a aura de seu criador que por vezes é tão forte que se torna insubstituível. E neste caso, a relação entre a obra (roupa) e as massas (clientes) corre o risco de ficar eternamente comprometida.

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Clássico-Punk

julho 21, 2010 by Diana Monteiro  
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As pessoas não precisam seguir à risca as tendências que surgem por aí. Como por exemplo a tendência rocker, você pode aproveitar algumas inspirações e colocar à seu gosto. Esse broche é um exemplo maravilhoso, um alfinete de fralda (acessório da cultura punk-rock dos anos 80) folhado a ouro, da Chanel, que virou clássico. Um verdadeiro objeto de desejo! Disponível no ShopBop.

Novas Direções para a Alta-Costura – por Mirela Lacerda

julho 15, 2010 by Mirela Lacerda  
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Na semana passada, a temporada de alta-costura de Paris teve um clima diferente. Além do otimismo pela volta do crescimento do setor, com a volta de antigas clientes dos EUA e da Rússia que foram obrigadas a suspender encomendas no ano passado e a chegada de novas, vindas dos mercados emergentes (China) está promovendo uma reavaliação sobre o que a alta-costura representa.

Alexandre Vauthier

Alexis Mabille

Bouchra Jarrar

Chanel

O pensamento lugar-comum nos leva a imaginar vestidos belíssimos e ultra-glamurosos, com tecidos nobres, bordados delicados feitos à mão e mulheres usando as produções em eventos chiquérrimos e milionários. Mas se analisarmos as coleções para o outono 2010, é impossível não notar os looks menos “sonho” e mais vida real. Traduzindo: os estilistas começam a perceber que as mulheres buscam roupas exclusivas e duráveis sim, porém não necessariamente feitas apenas para festas, mas para eventos diurnos.

Dior

Elie Saab

Giorgio Armani Privé

Givenchy

As apresentações mais intimistas  (com exceção da Chanel que manteve o espetáculo no Grand Palais, Dior reduziu o tamanho do desfile feito no Museu Rodin e a Givenchy optou por mostrar os modelos em showroom) são outro sinal desta aproximação entre estilistas e clientes. O serviço anda tão personalizado que as provas de roupa podem ser feitas onde a cliente está – em seu hotel em Paris ou num iate no meio do Mediterrâneo. O sucesso também pode ser medido pelos novos nomes que estão surgindo direto na couture, como a ex-Balenciaga e Lacroix Bouchra Jarrar, um perfeito exemplo da direção menos afetada do segmento.

Gustavo Lins

Jean Paul Gaultier

Maison Martin Margiela

Maison Rabih Kayrouz

Tanta exclusividade atesta uma tendência: a revalorização da roupa sob medida dentro de um contexto de desaceleração de consumo. O excesso de ofertas da moda mostra sinais de cansaço e quem quer qualidade, atendimento personalizado e a garantia de usar uma peça única encontra na alta-costura tudo o que precisa. Como bem resumiu o kaiser Karl Lagerfeld: “a couture moderna deve ter uma sensação de mobilidade e o ápice do refinamento.”

Stephane Rolland

Valentino

Zuhair Murad

Além disso, para os estilistas, a alta-costura será sempre um grande laboratório criativo para idéias que podem ser depuradas no prêt-à-porter. Sendo assim, fiquem de olho nas cores vibrantes e nos tons neutros claros, substituindo o preto, nas linhas aerodinâmicas e limpas, no uso das rendas, tecidos leves e transparentes, e no comprimento alongado, abaixo do joelho até a altura do tornozelo.

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Clogs São a Nova Sensação do Verão

julho 13, 2010 by Leticia Keiper  
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A tendência dos clogs vem com toda força na próxima estação. Depois de aparecerem no desfile da Chanel e de roubarem a atenção nos pés de famosos, eles estão presentes nas coleções de várias marcas, desde as mais antenadas às mais populares. Os sapatos, inspirados no tradicional tamanco holandês, marcados por saltos grossos de madeira, viraram novamente itens de desejo de moda, depois de serem sensação nos anos 90.

A nova coleção primavera-verão 2011 Miucha Luciana Gimenez, aderiu à proposta fashion, utilizando nos seus clogs materiais naturais e sofisticados. Os saltos são muito altos e nos tecidos aparecem o algodão, o linho, a camurça, o jeans e o couro ecológico.

Site de Aluguel de Roupas Etcstyle Abre Loja em Niterói

julho 7, 2010 by Leticia Keiper  
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O site etcstyle.com.br veio para facilitar a vida das mulheres que querem estar bem vestidas nos eventos. O site aluga roupas, bolsas e acessórios das melhores grifes, como Prada, Gucci, Dolce & Gabanna, Calvin Klein, Dior, Chanel, Marc Jacobs. O sucesso foi tanto, que a estilista responsável pelo negócio, abriu um atelier em Niterói para expor as peças.

Serviço:
Etcstyle

End: Travessa Engenheiro Green Halg – Centro Comercial Icaraí 2º piso, lj. 5 – Icaraí, Niterói, RJ

Como Consertar o Calendário da Moda? – por Mirela Lacerda

julho 7, 2010 by Mirela Lacerda  
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Há algumas semanas atrás, no inicio de junho, recebi a newsletter da Chloé avisando que a coleção de outono/inverno 2010-11 da marca já estava nas lojas. A Miu Miu também já enviou seu email com a nova coleção, enquanto Chanel e Yves Saint Laurent estão promovendo o pré-fall. Bom, o verão no hemisfério norte começa oficialmente em 21 de junho e em boa parte dos países, a estação é enormemente aguardada, pois os habitantes só têm até agosto para curtir as temperaturas mais altas. Mesmo nos EUA, onde o clima é bem diverso, e no sul da Europa, o verão raramente se iguala ao nosso, o que é mais um motivo para aproveitar todos os raios quentinhos de sol.

Newsletter da Chloé com os looks da coleção de outono 2010. www.chloe.com

Antes de continuar, vamos ao atual confuso calendário do varejo nacional e internacional:

Internacional (Estados Unidos e Europa principalmente)

Primavera: chega às lojas em fevereiro, em alguns casos, janeiro (frio de rachar!).
Pré-fall (pré-outono): começa a aparecer em maio, alguns adiam até final de junho (quando começa o verão).
Outono: em junho já há lançamentos, mas o normal é entre julho e agosto (o outono oficialmente começa em setembro).
Resort/Cruise (ou pré-spring): as lojas recebem em novembro, quando o frio está se instalando com força. Teoricamente as roupas são para quem vai fugir do inverno.

Nacional

Outono/Inverno: geralmente lançado após o carnaval ou cerca de duas semanas após o evento, dependendo da sua data (o calor continua firme e forte).
Primavera/Verão: no final de julho algumas marcas já lançam em esquema “preview”. A estação só inicia em setembro.
Alto-verão: nem toda marca faz uma coleção especial, as que fazem costumam mandar para as lojas a partir de dezembro. Quem não faz, fica com a primavera/verão por cerca de seis meses!

O outono 2010 da Miu Miu já está online. www.miumiu.com

Então não é frustrante saber que justamente quando faz calor no hemisfério norte as lojas estão lançando o outono? E no Brasil, alguém tem vontade de comprar casaco logo depois do carnaval, quando as marcas nacionais lançam o outono/inverno? Ok, a consumidora quer sempre novidade, mas ela também quer comprar de acordo com o clima. Choveu? Compra-se capas de chuva. Esfriou? É hora de ir atrás de meias e casacos. Está calor? Vamos comprar biquínis, vestidinhos e camisetas.

A campanha da coleção de pré-fall da Chanel, Paris-Shangai. www.chanel.com

Infelizmente, esta lógica do varejo aparentemente não existe mais e hoje comprar de acordo com a estação é algo raro. Com o sucesso das pré-coleções então, a ordem das estações parece invertida. Lá fora, os varejistas e compradores alegam que essas pré-coleções são as mais rentáveis, já que ficam à venda por mais tempo e quase não sofrem reduções, enquanto as coleções desfiladas chegam e em pouco tempo é época de liquidação, por isso seu lançamento é cada vez mais antecipado.

O pré-fall da Yves Saint Laurent, numa loja perto de você! www.ysl.com

A gente sabe que duas coleções de moda por ano é muito pouco e nem as grandes grifes conseguem bancar este intervalo de novidades e não perder terreno para as redes de fast fashion. Mas com tantos previews e pré-tudo, não está na hora de todos os envolvidos – da indústria têxtil aos estilistas, passando pelos compradores – sentarem para organizar a bagunça? Isso serve tanto para o Brasil quanto para o exterior. Por que não instalar o calendário de quatro coleções anuais (primavera, verão, outono e inverno) e parar com esse negócio de pré-spring, pré-fall e alto-verão? Dependendo do porte da empresa, é mais complicado produzir quatro coleções separadas, mas uma boa solução pode ser o verão e o inverno funcionando como desdobramento e extensão da primavera e do outono, respectivamente.

Pequenos ajustes podem significar maior lucro lá na frente, afinal, se continuarmos desse jeito, vamos comprar casaco em janeiro e sair de vestidinho de algodão no meio de julho! O consumidor pode estar sempre em busca de novidade, mas uma compra por necessidade é geralmente a melhor – para ambos os lados.

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Alta-Costura Outono 2010: Givenchy, Armani Privé e Chanel

julho 6, 2010 by Mirela Lacerda  
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Givenchy: quando se descobre que alguns vestidos desta coleção levaram 1600 horas para serem feitos, é impossível não parar para refletir sobre o sentido da alta-costura. Riccardo Tisci ainda foi mais fundo no conceito ao optar por uma apresentação intimista no lugar do desfile. As 10 modelos estavam divididas em salões de um apartamento na Place Vendôme em vestidos e calças que homenageavam Frida Kahlo sob a ótica de 3 pilares: religião, sexualidade e dor (representada pelo esqueleto humano, que apareceu nos bordados de cristais e pérolas). Branco, dourado e marrom eram as únicas cores em peças de renda extremamente trabalhadas, detalhes de plumas, tules e zíperes.

Giorgio Armani Privé: a cor preferida do estilista – bege – estava onipresente nos looks “executiva chique”, de calças + blazers, nos tailleurs de saias nos joelhos, nos vestidos e até nos longos geométricos. Detalhes de drapeados, grandes botões e broches, assim como casacos longos, clutches e sapatos boneca foram os outros itens de uma coleção impecável.

Chanel: Coco era do signo de Leão. Karl Lagerfeld pode ter tido pensamentos astrológicos, ter olhado pra savana africana ou se inspirado na metáfora do rei da selva. O fato é que a passarela tinha um enorme leão como cenário! O desfile foi um dos mais sóbrios da grife, bem como o mood da estação pede. O clássico tailleur ganhou novas proporções, com jaquetas mais curtas, de mangas ¾ e fofas, e saias abaixo do joelho. O tweed dominou a primeira parte, em cores sóbrias (preto, vinho e bege). Já na segunda, apareceram os belíssimos bordados, do tipo tapeçaria, flores aplicadas, transparências e muitos bordados, além de vermelho, azul e tecidos como cetim e seda. Os acessórios não podiam ser mais perfeitos: botas de canos médios, acompanhando as decorações das roupas e muitas pulseiras douradas. Lagerfeld é mesmo um leão que ruge – e ainda usa máscara!

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